Longevidade em debate: Fundação António Cupertino de Miranda e CES promovem segunda sessão de “Um Debate para o Futuro”

  • Publicado em 13 outubro 2026

A Fundação António Cupertino de Miranda recebeu, no dia 12 de outubro, a segunda sessão do ciclo de conferências “Um Debate para o Futuro”, subordinada ao tema “Para Onde Vamos”. A iniciativa foi organizada em parceria com o Conselho Económico e Social (CES), no âmbito do projeto Novas Sociedades Longevas, cofinanciado pelo programa Interreg España–Portugal.

O projeto analisa os impactos do envelhecimento e da longevidade nas sociedades contemporâneas e apoia a reflexão estratégica sobre as políticas e respostas públicas necessárias. Esta sessão juntou decisores públicos, a comunidade científica e os cidadãos num espaço aberto de partilha de conhecimento e diálogo.

Sessão de abertura

A abertura esteve a cargo de Maria Amélia Cupertino de Miranda, presidente da Fundação António Cupertino de Miranda, e de Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto.

Na sua intervenção, a presidente da Fundação partiu de uma pergunta central: “Vivemos mais, já sabemos. Mas viver mais coloca-nos uma pergunta essencial: como queremos viver esses anos a mais? Com saúde, naturalmente. Mas também com autonomia, segurança financeira, capacidade de participação, acesso ao conhecimento e inclusão numa sociedade cada vez mais digital.”

Maria Amélia Cupertino de Miranda apresentou a Fundação e o Museu do Papel-Moeda como empreendedores sociais. Recordou que a Fundação foi pioneira, em 2008, ao diagnosticar a falta de literacia financeira em Portugal, através de um estudo realizado com a Universidade do Porto. Desde então, explicou, a abordagem tem sido sempre a mesma: “Não basta transmitir conhecimento; é preciso transformar conhecimento em capacidade e capacidade em autonomia.”

A presidente lembrou que Portugal é hoje o segundo país mais envelhecido da Europa, com cerca de 24% da população com 65 ou mais anos. Sublinhou também que, nos agregados constituídos por uma única pessoa com 65 ou mais anos, a taxa de risco de pobreza atingia 27% em 2024. Destacou ainda a dimensão digital da vulnerabilidade: “Ter acesso à Internet não significa necessariamente ter competências digitais.”

Foi neste cruzamento entre longevidade, vulnerabilidade financeira e inclusão digital que nasceu, em 2018, o projeto Eu e a Minha Reforma. Através de Laboratórios de Literacia Financeira, o projeto aborda temas como a gestão do orçamento, a poupança, os impostos, os seguros, o crédito e a prevenção da fraude. Os resultados da avaliação de impacto mostram que 82,5% dos participantes melhoram as suas competências digitais, 88% melhoram as suas competências financeiras e 89% melhoram o seu nível de conhecimento financeiro. “Mas o verdadeiro impacto social está para além destes números. Está na mudança de comportamentos. (…) Não é apenas saber mais. É agir melhor”, afirmou.

A presidente partilhou também as principais lições aprendidas ao longo destes anos. Destacou a importância do envolvimento ativo da comunidade: “Um projeto desta natureza não pode ser simplesmente levado para um território. Tem de ser construído com o território.” Referiu ainda a necessidade de acompanhamento personalizado e continuado, de flexibilidade para responder a cada território e de uma comunicação adequada. Deixou igualmente uma palavra à rede de parceiros do projeto: os Municípios, o Banco de Portugal, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto e a Associação Portuguesa de Seguradores.

Olhando para o futuro, Maria Amélia Cupertino de Miranda defendeu uma mudança de mentalidade e de políticas públicas. “Durante muito tempo, preparámo-nos para uma vida com três momentos: estudar, trabalhar e reformar. Mas este modelo já não responde à realidade. Precisamos de preparar as pessoas para vidas mais longas, mais complexas e com mais transições.” Saudou o trabalho do Conselho Económico e Social e afirmou que a formação financeira e digital ao longo da vida deve fazer parte, de forma inequívoca, da resposta da sociedade: “Não podemos continuar a considerar estas competências como complementares. São competências essenciais de cidadania.”

A presidente terminou com uma mensagem de ambição: “Não queremos apenas ajudar as pessoas a viver mais. Queremos contribuir para que possam viver mais com conhecimento, autonomia, segurança, confiança e dignidade. Porque uma vida longa só será verdadeiramente uma conquista se for também uma vida com qualidade.”

Um programa com várias vozes

Seguiu-se a conferência de enquadramento “A longevidade: um novo paradigma para a sociedade”, proferida por Luís Pais Antunes, presidente do Conselho Económico e Social.

Maria João Guedes, vice-presidente do CES e presidente da Comissão Especializada Temporária para a Longevidade, apresentou depois o Projeto de Parecer do CES “Novas Sociedades Longevas”.

Na segunda parte da tarde, a mesa-redonda “Do Parecer às Prioridades: Como transformar a visão estratégica em prioridades para Portugal?” foi moderada por Álvaro Beleza, presidente do Conselho Coordenador da SEDES. Contou com a participação de:

  • André Trindade, presidente da ACSS;
  • Carolina Nogueira, subdiretora-geral do Planapp;
  • Inês Matos, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão;
  • Maria Isabel Rodrigues dos Santos, representante da Região Autónoma da Madeira no CES.

O encerramento esteve a cargo de Clara Marques Mendes, secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão.

A Fundação António Cupertino de Miranda agradece a todos os oradores, parceiros e participantes que contribuíram para este debate sobre o futuro de uma sociedade cada vez mais longeva.