SOS Finanças: O seu fundo de emergência aguentava uma inundação?

  • Publicado em 18 fevereiro 2026

Nas últimas semanas, Portugal tem sido fustigado por um "comboio" de tempestades. Desde a passagem devastadora da depressão Kristin, que deixou um rasto de destruição em Leiria e Coimbra com ventos superiores a 150 km/h, até às inundações que transformaram ruas em rios e deixaram milhares de famílias sem eletricidade.

Perante telhados arrancados, garagens submersas e carros arrastados, a pergunta que se impõe não é apenas "quando vai parar de chover?", mas sim: "se isto me acontecesse hoje, eu teria dinheiro para recomeçar?"

O impacto real (e imediato) no bolso

Muitas pessoas pensam que o seguro resolve tudo. É verdade que o seguro multirriscos é o nosso maior aliado, mas o processo de peritagem e indemnização não acontece da noite para o dia. Entretanto:

  • Precisa de substituir uma janela ou porta urgente para não dormir ao relento;

  • Tem de pagar uma estadia num hotel se a casa ficar inabitável;

  • Pode ficar sem carro para ir trabalhar porque o motor ficou submerso;

  • Pode enfrentar quebras de rendimento se o seu local de trabalho foi afetado (como vimos em muitos negócios em Leiria e na Marinha Grande).

É nestes momentos que o Fundo de Emergência deixa de ser uma teoria financeira para passar a ser a sua "boia de salvação".

Quanto deve ter de reserva?

A regra de ouro, especialmente em tempos de instabilidade climática, é ter entre 6 a 12 meses das suas despesas essenciais (alimentação, prestação da casa, luz, água) guardados num local de fácil acesso (como uma conta poupança ou Certificados de Aforro).

Se o Estado promete apoios? Sim, muitas vezes chegam. Mas os apoios públicos demoram meses — ou anos — a chegar às contas bancárias. O seu fundo de emergência está disponível em 24 horas.

3 Lições das tempestades recentes para a sua reforma:

  1. Não espere pela tragédia: Se ainda não tem um fundo de emergência, comece hoje mesmo, nem que seja com 20€ ou 50€ por mês. No dia em que a água entrar pela porta dentro, cada cêntimo vai contar.

  2. Reveja a sua apólice: Sabe se o seu seguro cobre "Fenómenos da Natureza"? Muitas pessoas descobrem que não da pior maneira. Verifique a sua apólice enquanto o sol brilha.

  3. Liquidez é segurança: Na reforma, a nossa capacidade de gerar novos rendimentos é menor. Ter uma reserva financeira não é "ter dinheiro parado", é ter paz de espírito.

As imagens de Leiria e do Mondego servem de aviso: a natureza não avisa quando ataca, mas nós podemos avisar a nossa conta bancária para estar pronta.

Lembre-se: o melhor dia para criar o seu fundo de emergência foi ontem. O segundo melhor dia é hoje.