Crédito à habitação: novas regras entram em vigor a 1 de agosto
- Publicado em 20 julho 2026
Está a pensar comprar casa ou contratar um novo crédito à habitação? A partir de 1 de agosto de 2026, os bancos passam a aplicar novos critérios na avaliação da capacidade financeira dos clientes.
As alterações foram definidas pelo Banco de Portugal com o objetivo de tornar a concessão de crédito mais prudente, num contexto marcado pelo aumento dos preços da habitação, pelo crescimento do crédito às famílias e por valores médios de empréstimo cada vez mais elevados.
O que muda na taxa de esforço?
A taxa de esforço corresponde à parte do rendimento mensal utilizada para pagar créditos. A partir de agosto, o limite recomendado na concessão de novos empréstimos passa de 50% para 45%.
No cálculo, o banco considera não apenas a prestação do novo crédito, mas também os restantes empréstimos do cliente. Nas taxas variáveis ou mistas, é ainda simulado o impacto de uma possível subida dos juros. Até 10% do crédito concedido por cada instituição, em cada semestre, poderá ultrapassar o limite dos 45%.
Esta redução não significa que todos os pedidos serão recusados. No entanto, quem já tiver vários créditos ou uma parte significativa do rendimento comprometida poderá ter mais dificuldade em obter o financiamento pretendido.
Novos limites para os prazos
As novas regras simplificam também os prazos máximos do crédito à habitação, que passam a estar divididos em dois grupos:
- até 40 anos, para clientes com idade igual ou inferior a 35 anos;
- até 35 anos, para clientes com mais de 35 anos.
Para as pessoas entre os 31 e os 35 anos, esta alteração pode representar um prazo superior ao anteriormente recomendado, que era de 37 anos. Um prazo mais longo pode reduzir a prestação mensal, mas aumenta o período durante o qual são pagos juros e, consequentemente, o custo total do empréstimo.
Por isso, não deve analisar apenas se a prestação mensal cabe no orçamento. É igualmente importante verificar quanto irá pagar no total até ao final do contrato.
E se o crédito se prolongar pela reforma?
Muitos créditos à habitação acompanham os clientes durante várias décadas e podem continuar a ser pagos depois da entrada na reforma.
Quando o contrato terminar após o cliente completar 70 anos, a avaliação do banco deverá considerar uma possível redução dos rendimentos nessa fase da vida. A exceção ocorre quando o cliente já está reformado no momento em que a sua capacidade financeira é analisada.
Esta análise é particularmente importante porque uma prestação suportável com o salário atual poderá representar um esforço muito maior quando os rendimentos passarem a depender sobretudo da pensão.
Antes de assumir um compromisso de longo prazo, procure responder a algumas questões:
- Qual será o valor provável dos meus rendimentos na reforma?
- Continuarei a conseguir pagar a prestação se os juros aumentarem?
- Tenho outros créditos que comprometem o orçamento?
- Disponho de um fundo de emergência para despesas inesperadas?
- O prazo mais longo compensa o aumento do custo total do empréstimo?
Quando começam a aplicar-se as alterações?
As novas regras aplicam-se aos contratos cuja avaliação da capacidade financeira do cliente seja realizada a partir de 1 de agosto de 2026. Isto significa que o momento relevante não é apenas a data de assinatura do contrato, mas a data em que o banco analisa a solvabilidade do cliente.
O limite de 45% também não obriga os bancos a aprovar créditos até esse valor. Cada instituição continuará a avaliar fatores como os rendimentos, a situação profissional, a idade, as despesas habituais e os restantes empréstimos.
Planear hoje para proteger a reforma
No projeto Eu e a Minha Reforma, o planeamento financeiro é apresentado como uma ferramenta essencial para tomar decisões mais conscientes ao longo da vida.
Conhecer a sua taxa de esforço, comparar diferentes propostas, compreender o custo total do crédito e antecipar uma possível redução dos rendimentos são passos importantes antes de assumir uma dívida que poderá acompanhá-lo até à reforma.
Uma casa pode representar segurança e estabilidade, mas o respetivo crédito não deve comprometer a capacidade de poupar, responder a imprevistos ou manter a qualidade de vida no futuro.
Preparar a reforma não significa apenas juntar dinheiro. Significa também garantir que os compromissos assumidos hoje continuam ajustados aos rendimentos que terá amanhã.